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Itapuã, Brasil: um estudo de caso para engajamento urbano na conservação de tartarugas

30/11/2018 - Leia na íntegra o artigo traduzido da publicação SWOT The State of The World's Sea Turtles Report. Leia mais. ↓

SWOT The State of The World's Sea Turtles Reportvol. 13 February 15, 2018

Há 37 anos, o Projeto TAMAR monitora e protege as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem ao longo da costa brasileira: cabeçuda, tartaruga-de-pente, verde, oliva e tartaruga-de-couro. Durante esse período, o número de ninhos protegidos subiu de 62 (em 1982-83) para aproximadamente 30.000 (em 2016-17) graças a uma série de programas de conservação bem-sucedidos, desde o gerenciamento de incubatórios e proteção de praias até treinamento e educação ambiental com comunidades locais. Os moradores dos locais do onde o TAMAR está, cada vez mais estão conscientes e envolvidos com a conservação marinha e agora são os aliados mais próximos na proteção às tartarugas. Atualmente, 97% dos ninhos de tartaruga a cada ano são deixados in situ no Brasil; somente aqueles encontrados em áreas de urbanização extremamente alta ou intenso uso na praia são realocados para incubatórios a céu aberto.

A cidade de Salvador, no nordeste da Bahia, foi estabelecida em 1549 como a primeira capital do Brasil, foi na década de 1950 que começou a se expandir enormemente para abrigar uma crescente população humana. A expansão desregulamentada do turismo foi mais significativa perto das praias, e esse desenvolvimento degradou os habitats por causa da ocupação costeira, uso intenso da praia e luzes artificiais. Uma excelente ilustração da degradação pode ser encontrada na área de desovas de tartarugas em Itapuã, um bairro litorâneo de Salvador com habitações de alta densidade, hotéis e estabelecimentos comerciais ao longo de um trecho de praia de cinco quilômetros importante para a reprodução das tartarugas.

Durante a década de 1990, a estratégia adotada pelo TAMAR em Itapuã foi realocar todos os ninhos para uma praia mais segura, mais ao norte. No entanto, mais recentemente, o TAMAR mapeou toda a zona costeira, identificando áreas onde os ninhos poderiam permanecer em segurança na praia (in situ) e áreas onde ninhos naturais enfrentariam ameaças, incluindo uso intenso durante a praia, caça ilegal e luzes artificiais, tráfego de veículos na areia e muito mais. Ao mesmo tempo, os pesquisadores identificaram as partes interessadas da comunidade e de instituições públicas, privadas e da sociedade civil, concentrando-se naqueles que poderiam ser potenciais parceiros na proteção às tartarugas marinhas. Membros do governo municipal - polícia militar e ambiental, saúde pública, salva-vidas e controle de zoonoses - foram identificados como possíveis parceiros. Hotéis e resorts, escolas e empresas locais estavam entre os parceiros do setor privado e, entre as organizações da sociedade civil, o TAMAR identificou associações locais de bairro e de surfe.

Reuniões foram realizadas com todas as partes interessadas e estratégias de monitoramento foram desenvolvidas para garantir que os ninhos pudessem ser deixados in situ com segurança. As patrulhas diárias de longo prazo e matutinas conduzidas pelo TAMAR durante a época de reprodução continuariam a identificar e marcar ninhos naturais, e sua proteção diária cairia para outras partes interessadas. As partes responsáveis foram posteriormente treinadas pela equipe do TAMAR nos protocolos e procedimentos para o manejo dos ninhos e filhotes, registrando a predação de ninhos por outros animais e ajudando fêmeas e filhotes desorientados por luzes artificiais, bem como fêmeas desovando durante o dia, em momentos de intenso uso na praia.

Durante o monitoramento diário da praia, o funcionário local do TAMAR (ou tartarugueiro) apagou todos os sinais de presença de tartaruga na areia para garantir que as atividades de tartaruga permaneçam despercebidas pelos usuários da praia que podem potencialmente perturbar os ninhos. Ninhos em locais considerados em risco de inundação de maré ou danos por erosão de praia, ou em áreas com uso intenso da praia, foram realocados pelo TAMAR para praias mais seguras nas proximidades. A desorientação das tartarugas e os distúrbios causados pelos seres humanos, como a caça, foram registrados pelo TAMAR e pela rede de parceiros para avaliar a eficácia da estratégia. O uso de aplicativos de bate-papo instantâneo como uma ferramenta para envolver os cidadãos no intercâmbio de informações com as partes interessadas nos locais manteve os cidadãos envolvidos durante toda a época de reprodução e além.

Simultaneamente ao trabalho de campo, o TAMAR lançou campanhas de conscientização ambiental na área de estudo, denominadas TAMAR na Escola e Nossa Praia é a Vida. A primeira dessas campanhas promove atividades para crianças em idade escolar relacionadas à biologia das tartarugas marinhas e ameaças, e a última promove ações nas praias durante a época de reprodução, com exposições, limpezas de praia e filhotes indo para o mar. Os programas aumentam a conscientização dos moradores locais, turistas e usuários da praia. Esses tipos de atividades e outros trabalhos de comunicação e divulgação aproximaram a comunidade local na mitigação dos possíveis impactos e conflitos relacionados ao manejo de ninhos de tartarugas marinhas.

Por meio de uma rede social coordenada pelo TAMAR, todas as partes interessadas recebem atualizações regulares sobre números de ninhos, atividades de sensibilização e educação ambiental, além de informações sobre filhotes desorientados e outros tópicos. A mídia local também tem sido extremamente importante por compartilhar a mensagem de conservação com um público nacional e internacional mais amplo. Para evitar possíveis danos a ninhos de banhistas curiosos, em nenhum momento informações sobre a localização exata de um ninho foram compartilhadas publicamente.

A atenção dirigida a esse projeto pela mídia, junto com a escola e atividades de divulgação pública, fortaleceu a equipe. Ficou claro para aqueles no TAMAR que este novo panorama de atividades trouxe sentimentos de felicidade e responsabilidade em relação à conservação marinha entre os parceiros e membros da comunidade local. A cobertura ao vivo dos filhotes indo para o mar e exposições na praia também chegou à mídia local e estadual, sendo transmitida para milhares de pessoas em todo o estado da Bahia. A alta visibilidade contribuiu para uma empatia ainda maior em relação às tartarugas marinhas e uma compreensão pública da mensagem da conservação marinha de forma mais ampla.

Quando o TAMAR começou a monitorar a praia de Itapuã em 1990, devido às intensas pressões humanas na época, os funcionários tiveram que realocar quase todos os ninhos para garantir que os filhotes sobrevivessem. Nos anos seguintes, uma maior participação local nos esforços de proteção tornou possível aumentar a proteção in situ de ninhos de apenas 3 ninhos em 1990 para mais de 140 ninhos em 2016–17 e, no ano anterior, apenas três distúrbios causados pelo ser humano às tartarugas foram relatados.

O TAMAR aprendeu através de seus quase 40 anos de experiência que o envolvimento da comunidade local é a única maneira pela qual a conservação de longo prazo das espécies pode ser efetivamente alcançada. Durante a próxima fase de trabalho em Itapuã - para alcançar a coexistência sustentável entre tartarugas marinhas e praias urbanas - o TAMAR não mais realizará patrulhas diárias de monitoramento, reduzindo custos e permitindo que o programa concentre seus esforços apenas no monitoramento de áreas prioritárias. O forte relacionamento com as partes interessadas locais ajudará a garantir que as tartarugas serão cuidadas e seus ninhos protegidos. Quando o TAMAR incentiva o envolvimento das comunidades locais na conservação, como tem feito em Itapuã, acaba promovendo a conscientização para as futuras gerações.

Publicação original:

SWOT The State of The World's Sea Turtles Reportvol. 13 February 15, 2018

By EDUARDO C. SALIÉS, NATHALIA BERCHIERI, LILIANA P. COLMAN, MANUELA R. B. BOSQUIROLLI, ALEXSANDRO SANTOS, FREDERICO TOGNIN, MARIA A. MARCOVALDI, VALÉRIA ROCHA, and PAULO H. LARA

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